Domingo, Abril 08, 2007

A Buchada ou O Aniversário de Julita

Licença, quero contar
uma historinha engraçada
sobre a festa de Julita
onde teve uma buchada
que quase termina em crime
mas transformou-se em piada.


Pedro Caracu de Lima
era um velho solteirão
que vivia reclamando
por viver na solidão
até que achou com quem
compartilhar o colchão.


Já passava dos sessenta
quando casou com Julita
morena, muito vistosa
melhor dizendo, bonita
daquela que quando passa
a macharia se agita.


Tinha ela um derrier
por demais avantajado
dava até a impressão
que este seu predicado
era por dormir na rede
que tinha o fundo furado.


E devido à diferença
de idade que existia
sempre, sempre na cidade
alguém lhe advertia
sobre o perigo de chifres
ao que ele respondia:


- "Cavalo véi, capim novo"
é um ditado perfeito
comer filé com os amigos
sei que tiro mais proveito
que comer "péia" sozinho
e à carne não ter direito.


Quando ela fez trinta anos
ele disse à camarada:
- Vamos festejar esta data
de forma bem animada
a gente chama os amigos
pra comerem uma buchada.


Na data pactuada
os dois estavam postados
à entrada do casebre
recebendo os convidados
fazendo as honras da casa
pra todos recém-chegados.


De ver tanto homem assim junto
Julita não escondia
o grande contentamento
todo mundo percebia
diante das piscadelas
aos homens que recebia.


Parecia um cacoete
um tique-tique nervoso
impressão que foi desfeita
quando chegou bem fogoso
Urutabão "Bate-o-Bombo"
um mancebo donairoso.


Com 23 anos de idade
dois metros de envergadura
nas rodas do "Carretel"
era uma constante figura
mesmo sendo bebe-quieto
fazia muita loucura.


O piscar dos olhos dela
dos homens tirava a calma
Pedro a tudo assistia
sem preconceito, sem trauma
aos requebros tão dengosos
de peito, traseiro e alma.


A buchada era bem farta
e por sinal muito boa
preparada por Nidinha
uma excelente pessoa
e também alcoviteira
das "fugidas"da patroa.


Enquanto o povo comia
na maior "delicadeza"
Urubatão e Julita
tocavam os pés sob a mesa
e telepaticamente
acertavam a sobremesa.


Quando findou o almoço
e o povo se retirou
a ausência de Julita
foi que Pedro então notou
lembrou que Urubatão
pela porta não passou.


Então lhe veio o estalo
do que ia acontecer
correu bufando pro quarto
deu um grito pra valer:
- Se os dois brincar, agora
"tejam" certos, vão morrer!


Julita correu aos gritos
fazendo grande alarido
Urubatão levantou-se
já de todo prevenido
apontando o seu revólver
para o marido traído.


- Vou morrer de que, seu corno?
perguntou ao camarada
Pedro disse calmamente
com a voz resignada:
- de indigestão... Buchada
é comida muito pesada.


Quando Pedro disse assim
Urubatão se acalmou
e guardando a sua arma
altivo se retirou
Julita pediu perdão
e Pedro lhe desculpou.


Mas aconteceu porém
que tinha alguém escondido
assistindo a tudo isso
que havia acontecido
e lá no bar da sinuca
contou todo o ocorrido.


Já fazia uma semana
que o fato tinha se dado
Pedro soube que Mané
Salu tinha boatado
- "Vou tomar satisfações
com aquele cabra-safado".


- Perguntou: - Salustiano,
quero saber... É verdade
que você anda espalhando
por toda nossa cidade
que sou corno convencido
ou isto é falsidade?


- Mané estava calado
e calado ali ficou
Pedro perguntou de novo
e Salu não respostou
Pedro disse: - Está com medo?
Repita, então se falou!


Com grande calma, Salu
pôs o cigarro no chão
levou a mão à cintura
puxou sua "conceição"
uma doze polegadas
e a enterrou no balcão.


Cuspiu de lado e falou
como fosse aconselhar
Pedro, você é um corno
isso não pode negar
bastar deixar de ser corno
que eu deixo de falar...


E Pedro bem cabisbaixo
saiu dali descontente
foi pros braços de Julita
chorou copiosamente
lembrando toda vergonha
que passou recentemente.


E Julita consolava
o desditoso marido
dizendo: - Não chores não
ao povo não dê ouvido
eu te amo, tu me amas
é o que importa, querido!


Eis aí caros leitores
uma história bem real
que se deu em Itabaiana
que é cidade natal
do cronista Erasmo Souto
memorialista sem igual.


Através de seus relatos
que achei muito bacana
desenvolvi esta história
que mesmo sendo sacana
ela atesta que se deu
na pacata Itabaiana.


Honório transpôs pro verso
O que Erasmo contou
Naquele livro primeiro
Onde ele relatou
Relíquia da mocidade
Imagens duma cidade
Onde ele se criou.


FIM
TIMBAÚBA-PE, JUL/90.

1 comentários:

Thiago Paulino disse...

Poeta,
Muito boa esta história da buchada e a da gordinha com interenet também está ótima.

Não sei se conheces o site do Overmundo a proposta é quebrar um pouco a hegemonioa dos centros em termos de dvilgação cultural.
Tem textos muito interessantes do Brasil todo. Lá as pessoas publicam matérias, poesias, contos, fotos, músicas. Muitas gente comenta e dá palpites, as publicações também recebem votações.

Seria muito legal se tu publicasse por teu material por lá também. A boa poesia, poeta, precisa ser bem divulgada..

Dá uma navegada por lá..

http://www.overmundo.com.br/

Vê esta publicação que fiz e depois diz o que achas?

http://www.overmundo.com.br/overblog/por-que-200-reais

Abraço forte.